Ensino de dança nas escolas ganha destaque como ferramenta essencial para o desenvolvimento infanto-juvenil no Brasil

Brasil l Em meio aos desafios educacionais intensificados no pós-pandemia, especialistas em educação e saúde têm reforçado a importância do ensino de dança nas escolas como instrumento estratégico para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. A prática, prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como parte do componente de Artes, vem sendo cada vez mais reconhecida não apenas como expressão cultural, mas como u recurso pedagógico de alto impacto no processo de aprendizagem.

Segundo dados do IBGE e do Ministério da Educação, crianças e adolescentes brasileiros apresentaram, entre 2020 e 2022, queda significativa nos níveis de atividade física regular, aumento de dificuldades socioemocionais e déficits de socialização. Estudos divulgados em 2022 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 80% dos adolescentes no mundo são fisicamente inativos, cenário que também se reflete no Brasil. Nesse contexto, a inserção estruturada da dança no ambiente escolar surge como resposta concreta para estimular o movimento, a atenção, a disciplina e o convívio coletivo.

Para a professora e coreógrafa Mariana Montanari, uma das mais renomadas educadoras de dança do país, o ensino da dança vai muito além da estética ou da formação artística tradicional.

“A dança na escola atua diretamente no desenvolvimento neuromotor, na organização espacial, na coordenação e na percepção corporal da criança. Quando bem estruturada, ela também fortalece competências socioemocionais fundamentais, como cooperação, empatia e autorregulação”, explica Mariana.

Com mais de duas décadas de experiência na formação de crianças e jovens, Mariana defende que a dança deve ser tratada como conteúdo pedagógico, e não apenas como atividade extracurricular.

“Estamos falando de uma linguagem que integra corpo e mente. A criança aprende matemática quando organiza o tempo musical, desenvolve linguagem quando interpreta movimentos e constrói identidade quando se reconhece no próprio corpo.”

Pesquisas publicadas em 2021 e 2022 por universidades brasileiras, como a UFMG e a USP, apontam que práticas corporais regulares, incluindo dança, contribuem para a melhora da atenção, da memória e do desempenho escolar, além de reduzirem índices de ansiedade e evasão. Em ambientes de vulnerabilidade social, esses efeitos são ainda mais significativos, funcionando como fator de proteção e inclusão.

Mariana Montanari destaca que a dança também desempenha papel central na educação inclusiva, especialmente quando adaptada às diferentes realidades físicas, cognitivas e emocionais dos alunos.

“A dança permite adaptações naturais. Cada corpo dança a partir de suas possibilidades. Isso promove pertencimento, respeito às diferenças e fortalece a autoestima, principalmente em crianças que muitas vezes não se sentem acolhidas em outros contextos escolares.”

Além do impacto direto no desenvolvimento infanto-juvenil, o fortalecimento do ensino de dança nas escolas contribui para a valorização da cultura brasileira e para a formação de público e profissionais nas áreas artísticas. Dados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (IBGE) mostram que o setor cultural responde por cerca de 3% do PIB brasileiro, sendo a educação artística uma das bases para sua sustentabilidade a longo prazo.

“Investir em dança na escola é investir em saúde, educação e cultura ao mesmo tempo. É formar cidadãos mais conscientes do próprio corpo, mais sensíveis ao outro e mais preparados para viver em sociedade”, conclui Mariana.

Em 2023, o debate sobre a presença efetiva da dança nas escolas ganha força entre educadores, gestores públicos e especialistas. A atuação de profissionais como Mariana Montanari evidencia que, quando conduzido com formação acadêmica, metodologia e responsabilidade pedagógica, o ensino da dança se consolida como uma das ferramentas mais completas para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes no Brasil.